Política

Audiência pública da Assembleia Legislativa discute ações contra preconceito religioso em Santa Cruz

Publicado em: 02 de abril de 2025 às 20:34 Atualizado em: 02 de abril de 2025 às 20:58
  • Por
    Emily Lara
  • Foto: Emily Lara/Grupo Arauto
    compartilhe essa matéria

    O encontro foi liderado pela deputada estadual Luciana Genro

    A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizou, nesta quarta-feira (2), uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul com o objetivo de debater e construir estratégias de enfrentamento à intolerância religiosa. O encontro, liderado pela deputada estadual Luciana Genro (PSOL) em parceria com o vereador Alberto Heck (PT), contou com lideranças religiosas, autoridades e a população em geral.

    Segundo a parlamentar, ela foi procurada pelo Conselho Municipal do Povo de Terreiro, que relatou que Santa Cruz está vivenciando uma onda de intolerância contra os terreiros. “Nós, então, combinamos de realizar essa audiência pública conjunta para ouvir, em primeiro lugar, o povo de terreiro e também colocar na mesa junto às instituições que têm a obrigação de garantir a livre expressão religiosa”, explicou.

    Luciana destacou que as religiões de matriz africana são as que mais sofrem preconceito. Ainda, ela revelou que fez uma cartilha para que a população entenda mais sobre a religião, possibilitando mais conhecimento e, segundo ela, menos ignorância. “São religiões, em geral, fortes nas periferias, fortes na negritude, fortes na comunidade LGBT. Então, são características de pessoas  que já vivenciam a discriminação no seu cotidiano. E se soma, então, a religião de matriz africana com aquela fantasia ou com aquela fake news de que é a religião do diabo, é a religião de satanás e coisas do gênero de pessoas que não conhecem a religião“, ressaltou. 

    Ainda, a deputada apontou que a comissão trabalha com a cobrança dos órgãos públicos, que têm a responsabilidade de fazer a fiscalização e garantir o direito de livre expressão. O diálogo também com a Brigada Militar,  que muitas vezes é quem é chamada e acaba, às vezes, entrando num terreiro de forma truculenta. Então, a gente busca fazer esse diálogo para que eles compreendam que aquilo ali é tão sagrado quanto uma igreja é para alguém que é católico ou evangélico. Então, tem que respeitar“, disse. 

    Conforme o presidente do Conselho Municipal do Povo de Terreiro de Santa Cruz do Sul, Leandro Liban, o município está em alta com casos de intolerância religiosa. Além disso, o representante afirmou que a legislação não está sendo aplicada como deveria. “Hoje a gente enfrenta não só um preconceito religioso pessoal,  e sim também institucional hoje dentro da cidade, onde muitos órgãos hoje estão se omitindo contra as nossas denúncias e favorecendo quem nos denúncia“, salientou.