Saúde

Infectologista explica propagação do vírus identificado recentemente em Santa Cruz

Publicado em: 17 de janeiro de 2025 às 08:18 Atualizado em: 17 de janeiro de 2025 às 08:18
  • Por
    Mônica da Cruz
  • Colaboração
    Leandro Porto e Nícolas da Silva
  • Imagem ilustrativa | Foto: Freepik/Divulgação
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    Novos casos do metapneumovírus humano (HMPV) foram registrados na China entre o final do ano passado e o início de 2025

    O aumento de casos de infecções respiratórias causadas pelo metapneumovírus humano (hMPV), registrados na China, entre o final do ano passado e o início de 2025, ligou o alerta de preocupação com uma possível nova pandemia.

    Apesar do cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS), já emitiu comunicados afirmando que o aumento está dentro do esperado para o inverno chinês e que não há, até o momento, evidências de surtos incomuns.

    Nessa quinta-feira (16), a Secretaria de Saúde de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, confirmou os dois primeiros casos de hMPV no município. São dois bebês, um de 1 mês e outro de 8 meses, da mesma família. Um deles reside no exterior e está passando as férias com a família no Brasil. Segundo o comunicado da Secretaria de Saúde de Santa Cruz, ambos apresentam quadro clínico estável, estão em isolamento e um deles já recebeu alta hospitalar.

    A médica infectologista Cristiane Pimental, em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Arauto News, explicou que o hMPV é um vírus relativamente comum e que o primeiro caso foi identificado na Holanda, em 2001. Ele é um vírus da mesma família do vírus sincicial respiratório, que também é comum e que geralmente causa sintomas leves, como tosse, febre e congestão nasal.

    “O que temos visto agora, nesse surto que acontece na China é a questão de que alguns casos mais graves podem acontecer em crianças pequenas, em idosos e até mesmo em pessoas com alguma queda na imunidade. É muito semelhante ao que já ouvimos falar com o coronavírus, por exemplo”, detalhou.

    Conforme a infectologia, a transmissão ocorre por gotículas respiratórias, semelhante à gripe e a Covid-19. Desta forma, os cuidados básicos com a saúde, como lavar bem as mãos, cobrir a boca ao tossir ou espirrar, se tornam ainda mais necessários para evitar uma nova onda de propagação. “Com esse mundo globalizado, que em 24 horas eu saio do Brasil e chego na China ou em qualquer outro país do mundo, é passível sim de ter casos notificados no mundo todo”, reforçou.

    No entanto, ela destacou que pelas informações que os especialistas possuem do metapneumovírus humano, ele não deve ter um impacto de mortalidade como ocorreu na Covid-19. “Alguns virologistas já têm trabalhado e já estão relatando também que o hMPV não é um vírus que sofre tanta mutação como a gente viu lá no Sars-Cov-2 e que ele não seria tão agressivo assim. O que não quer dizer que a gente não precisa ficar atento. Não é motivo para pânico, mas para manter os cuidados.”

    Cristiane lembrou que o hMPV não é o único vírus circulando. Ainda há registros de Covid, de Influenza e estes vírus circulam há muitos anos. “A gente precisa ficar atento e os cuidados respiratórios precisam estar sempre presentes na nossa rotina”, ressaltou. Como ainda não existe uma vacina específica para o hMPV, a orientação da infectologista é que a população siga os cuidados de saúde e mantenha o calendário vacinal atualizado, especialmente com relação as outras doenças respiratórias. Isso, segundo ela, auxilia a manter a imunidade e a diminuir as chances de casos mais graves.

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