Desde terça-feira, caminhoneiros protestam em meio a buzinas de boa sorte e doações de alimentos
Um grande grupo de caminhoneiros, desde a terça-feira (22), trocou o movimento das estradas por uma reunião em busca de direitos. É o sexto dia de manifestações em todo o Brasil, em busca da redução do diesel, e o quinto dia em que dezenas de trabalhadores fizeram do trevo do Gaúcho Diesel, na RSC-287, o seu local de trabalho. Ali, unidos em um dos trevos de Santa Cruz, eles falam sobre política, relembram as dificuldades com os impostos, os perigos das estradas e planejam, juntos, um futuro melhor.
De tempo em tempo, carros passam e buzinam. Teve gente que até colocou as mãos para fora em um gesto de apoio. Tem quem para e entrega doações. Às vezes são litros de água, em outras até mesmo cucas. A manifestação dos caminhoneiros, que muda a realidade de todo o Brasil nesta semana, conta também com o apoio de outras classes. Agricultores, comerciantes, taxistas e empresários. Os manifestantes relatam que as visitas foram muitas e as palavras de apoio também.
Solidariedade na estrada
As doações recebidas durante a semana são armazenadas em um caminhão baú, estacionado junto ao protesto. São garrafões de água, carnes, cucas, pães, linguiças e até carvão. Dionatan Heck, um dos primeiros caminhoneiros a chegar ao local na terça-feira, agradece a comunidade e avisa que, por enquanto, não são necessárias novas entregas. “É emocionante ver a ajuda das pessoas. O que sobrar, vamos doar”, avisa.
A luta é de todos
O caminhoneiro autônomo Toni Roberto Hirsch convida toda a comunidade, neste fim de semana, a se unir ao protesto. “Temos banheiro. Temos comida. Nada irá faltar e queremos receber vocês”, comunica.
Amigo de Hirsch, Darci Lisboa, aproveita para salientar que embora a greve tenha iniciado pelo alto custo na compra de diesel, toda a economia brasileira está afetada. Segundo ele, é preciso agora que, assim como já vem acontecendo com alguns setores, outras pessoas passem a apoiar o manifesto.
Dono de um caminhão que busca combustível em Canoas, Lisboa exemplifica as dificuldades encontradas pela classe com números. Para abastecer o seu caminhão, com capacidade de 17 mil litros, eram necessários R$ 50 mil. Agora, são R$ 70 mil. Foram R$ 20 mil de diferença em apenas 60 dias.
“Não vamos sair”
Darci Lisboa comenta que, enquanto a situação não melhorar, o grupo não sairá, mesmo com o acordo feito pelo Governo Federal. Tanto Lisboa, quanto Hirsch e Heck falam a mesma coisa: a manifestação é pacífica. Não há violência e nem interrupção de veículos essenciais. Eles destacam que não são obrigados a trabalhar e que, como não estão bloqueando o fluxo de outros veículos, o protesto não termina e nem há prazo para que seja finalizado. Juntos, eles seguem convidando caminhoneiros e a comunidade a lutar por um Brasil melhor.
O que passa no protesto?
- Veículos leves
- Carros da frota da segurança pública
- Ambulâncias, socorristas e outros veículos da saúde
- Caminhões com cargas vivas e perecíveis
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