Violência doméstica

Região tem quatro agressores de mulheres monitorados por tornozeleira

Publicado em: 26 de março de 2025 às 12:00 Atualizado em: 26 de março de 2025 às 12:44
  • Por
    Cristiano Silva
  • Equipamento foi instalado neste terça-feira, na Deam
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    Mais um equipamento foi instalado em Santa Cruz nesta terça, em um homem que cometia agressão psicológica e ameaçava a ex de morte. No estado, são 265 dispositivos implementados

    A semana foi marcada pela instalação de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores de mulheres na região. Na segunda-feira (24), um homem de 37 anos foi o primeiro a receber o equipamento em Vera Cruz.

    Já nesta terça-feira (25), em Santa Cruz do Sul, um investigado passou a ser mais um monitorado no município, que iniciou a implementação de equipamentos em 15 de outubro de 2024.

    Em caso recente no Bairro Rauber, que foi registrado em 5 de março na delegacia, uma mulher de 35 anos foi vítima de agressões psicológicas, chantagem emocional, e ameaça de morte por parte do seu ex-companheiro, de 34 anos, pois ele não aceitava a separação do casal.

    A autorização para a instalação desta tornozeleira foi do juiz João Francisco Goulart Borges, da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Santa Cruz do Sul.

    Até o momento, o Vale do Rio Pardo tem quatro dispositivos implementados, sendo três em Santa Cruz e um em Vera Cruz. As tornozeleiras estão sendo instaladas por uma equipe da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), chefiada pela delegada Raquel Schneider.

    Conforme apurado pela reportagem da Arauto News 89,9 FM, em todo o Rio Grande do Sul são 265 agressores monitorados. Nos casos, esses investigados ficam cientificados de que não podem se aproximar das vítimas ou de locais em que elas frequentam.

    Se atingirem uma certa distância de aproximação, as forças de segurança serão acionadas imediatamente e a vítima também será informada a partir de um aparelho que lhe foi fornecido.

    “É preciso que as mulheres denunciem”, afirma delegada

    Conforme a delegada Raquel Schneider, essa tornozeleira para agressores não é para todos os casos envolvendo medida protetiva de urgência, mas sim quando se constata um risco maior para a vítima, ou descumprimentos reiterados das medidas protetivas.

    A nova tecnologia visa auxiliar na proteção de vítimas contra a violência doméstica. O objetivo é monitorar o agressor em tempo real e alertar a vítima e as forças de segurança se a zona de distanciamento for ultrapassada.

    “A violência doméstica é uma matéria desafiadora de se trabalhar. São crimes graves, que muitas vezes ocorrem de forma silenciosa, dentro de casa. Precisamos identificar esses casos e utilizar todas as ferramentas possíveis para fornecer segurança”, comentou a delegada Raquel.

    “As tornozeleiras visam evitar especialmente os delitos de feminicídio, mas pra que todo esse trabalho dê resultado é preciso que as mulheres denunciem a violência que sofrem, pois em 2024 62% das vítimas desse crime não tinham sequer registro de ocorrência contra o agressor”, complementou a chefe da Deam.

    E o monitoramento não se restringe apenas a relacionamentos entre casais. No caso de Vera Cruz, por exemplo, o investigado, de 37 anos, havia colocado fogo na casa da irmã, no interior do município, e não poderá se aproximar mais da vítima ou de locais em que ela frequenta, o que mostra a amplitude do projeto implementado pelo governo do Estado em 2023.

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