Promotor apresentou em júri interceptação telefônica que mostra conversa entre líder de facção e companheira de vítima; confira
– Oi.
– Daí, quem tá falando?
– É o Pablo Escobar.
– Ah, é tu mesmo que eu quero Pablo Escobar, bandidão.
Os trechos acima são de um diálogo por telefone celular ocorrido em 7 de setembro de 2018, que foram interceptados pela Polícia Civil. Quem se identifica em uma das linhas como sendo o narcoterrorista colombiano fundador do Cartel de Medellín na verdade é Cláudio Mendes Pacheco, o Toquinho, 46 anos.
Ele é apontado como um dos líderes da facção Os Manos na região e atualmente é apenado da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas. Na outra linha, está uma mulher de 57 anos, atualmente em liberdade, que já foi condenada por tráfico de drogas a uma pena de dez anos e seis meses no âmbito da Operação Cúpula, deflagrada em 18 de janeiro de 2019.
A conversa entre os dois é o início de uma longa interceptação telefônica, que foi apresentada pelo promotor Gustavo Burgos de Oliveira a um corpo de jurados, em sessão do tribunal do júri realizada no dia 27 de março, no Fórum de Santa Cruz do Sul.
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No julgamento, Lisandra Makelly Machado, de 33 anos – filha da mulher que iniciou a conversa no telefone com Toquinho –, foi condenada a 8 anos de prisão, apontada como mandante do assassinato de Thiago Maciel de Borba, de 32 anos.
O crime aconteceu em 10 de setembro de 2018, três dias depois do telefonema. Thiago foi assassinado na frente da própria filha. Ele chegava em casa por volta das 19h30min, na Rua São Filipe, Bairro Dona Carlota, com a criança de 6 anos na garupa de uma motocicleta, quando foi surpreendido por homens que desceram de um Renault Clio prata, sendo morto a tiros.
A escuta foi citada pelo promotor como peça central do envolvimento de Lisandra no caso. Tanto a ré como Toquinho não tinham sido denunciados no início da investigação, que apontou outros cinco envolvidos, todos já condenados pelo crime.
Porém o material colhido pela Delegacia de Polícia de Cachoeira do Sul em outra investigação foi compartilhado com a 2ª Delegacia de Polícia (2ª DP) de Santa Cruz, que investigava o homicídio de Thiago. Detalhes do fato foram revelados pelo delegado Alessander Zucuni Garcia, única testemunha arrolada para depor no júri de Lisandra Makelly Machado.

Delegado Alessander Zucuni Garcia prestou depoimento no júri | Foto: Cristiano Silva
Na interceptação, inicialmente Toquinho fala com a mãe da ré, que na sequência passa o aparelho para Lisandra. A mulher então conversa diretamente com o líder de facção, este que falava com um celular de dentro do presídio de Charqueadas. Ela se queixa das atitudes de Thiago e solicita a execução do homem.
“O dia mais feliz da minha vida vai ser o dia que eu ver ele esticado”, diz a mulher para o faccionado no áudio. “Nisso que ela disse não tem nada de surra ou susto”, enfatizou o promotor Gustavo aos jurados, fazendo referência ao depoimento da ré na sessão, em que ela relatou não querer a morte de Thiago, e sim dar uma surra ou um susto com a sua fala para Toquinho.
Júri de Toquinho ainda será marcado
Por fim, na interceptação telefônica, é possível verificar que o apenado de Charqueadas concorda com os pedidos de Lisandra, afirmando que irá determinar a morte de Thiago no decorrer daquela semana, o que de fato cumpre.
Nas escutas, ainda é possível verificar o facionado dizendo para a mulher providenciar os papéis para ela visitar ele no presídio. Os inúmeros trechos apresentados pelo promotor no júri foram determinantes para mostrar a relação entre Toquinho e Lisandra, terminando por serem fundamentais para a condenação dela.
A mulher de 33 anos, que foi conduzida ao Presídio Estadual Feminino de Rio Pardo, foi a sexta pessoa já responsabilizada judicialmente pelo homicídio em questão. O único que falta responder pelo assassinato é justamente Toquinho, em júri ainda a ser marcado pelo Poder Judiciário.
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