Minha mãe criava suas próprias bonecas, eu desejei e ganhei a minha boneca bebê e a minha Barbie e minha filha tem um aglomerado delas em seu quarto. Em três gerações, quanta coisa mudou.
Do que você brincava quando era criança? Lembro que minha mãe contava que, como as bonecas eram artigos quase de luxo e as meninas tinham no máximo uma ou duas, daquelas de louça, o jeito era improvisar.
Dizia ela que fazia boneca com batata, colocava cabelo de milho para fazer as vezes de cabelo, botões fixados com palitos para fazer os olhos e a boca era desenhada. Gravetos serviam de pernas e braços. Quanto estímulo à criatividade!
Aí, a imaginação nas “vestimentas” da batata-boneca era uma diversão à parte, com pedaços de tecido, folhas, flores e por aí afora. Outra diversão era caçar vaga-lumes (o que quase nem se vê hoje em dia) ou dar banho em formiga (essa é demais, pobres insetos!). Uma infância escassa de brinquedos prontos e rica em estímulos criativos.
Na minha infância, eu brincava de tudo. É bem verdade que as bonecas eram prontas. Minha primeira boneca desejada era dessas do tipo bebê, dei a ela o nome de Camila. Não falava, nem tinha chupeta, mas abria e fechava os olhos castanhos, iguais aos meus. Eu pegava as roupas do meu irmão mais novo – bebê na época – e as fraldas de pano para colocar nela. Lembro bem. Imitava o que a minha mãe fazia com o meu irmãozinho.
Depois, eu quis uma Barbie. Ganhei uma roqueira, com os cabelos loiros encaracolados enfeitados com penas coloridas (lamentei um pouco porque não poderia penteá-los), usava botas brancas de cano e salto altos, tinha um macacão de lurex azul e uma saia de corino branca. Um luxo.
Aí, comecei a confeccionar roupas – do meu jeito – e arrumar móveis para a cada dela. Tinha tudo guardado em uma caixa grande, onde havia vindo papel ofício. Meu pai deve ter trazido a caixa do escritório em que trabalhava. Além das bonecas, eu subia em árvore, andava de bicicleta, brincava de escola, de venda (vendia para os meus clientes imaginários tudo que havia na despensa de casa, muito bem embrulhado em jornal), jogava vôlei com as crianças da minha rua e juntos fazíamos “artes” da nossa idade.
Terceira geração: minha filha, em um determinado Dia da Criança, quis uma Baby Alive. Uma boneca que parece ser uma menina, que tem asas como uma fada e brilha feito um vaga-lume. Achei uma “mistura” bastante inusitada em um único brinquedo. Dependendo do que você “oferecer” de alimento para a boneca, a cor com a qual ela se ilumina muda. E tem pizza no cardápio.
Posso mencionar as Barbies também. Minha mãe nem sonhava ter, eu tinha uma, minha filha tem várias. Uma com asas de borboleta, outra com cauda de sereia, outras que são personagens do desenho animado atual repleto de magia, que tem animais diversos e muitos acessórios que vem junto com as bonecas. Não nego, é encantador.
A cada geração, tudo muda. Cada vez menos vemos crianças brincando na rua, assim livres como era com a minha mãe, depois comigo. Mas, enquanto pais, devemos preservar ao máximo o contato com a natureza, do jeito que for possível, e estimular a imaginação. Apresentar às crianças possibilidades, para que elas percebam que nem tudo é de plástico e vem pronto da loja e que o simples pode ser o que há de mais verdadeiro.
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