Colunista

Álvaro Werner

Ponto de Encontro

Sejamos o colibri

10 de maio de 2024
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EM algum dos meus comentários semanais, lá longe no passado, e me referindo a uma campanha para auxiliar o nosso Hospital, fiz referência a uma pequena parábola bem conhecida de todos. Houve em um dia qualquer, um grande incêndio numa floresta. O colibri incansavelmente voava grandes distâncias para buscar uma gota de água na tentativa de apagar o fogo. O elefante a certa altura perguntou ao colibri, porque tantas revoadas e como resposta ouviu que era para buscar água e apagar o incêndio. E está conseguindo, insistiu? Não sei, mas estou fazendo a minha parte, respondeu o colibri. O Rio Grande está diante da sua maior inundação, superando de forma triste a marca de 1941, tempo em que a maioria de nós não era nascido. Só ouvíamos falar pelos nossos avós e de raras fotos e publicações da época. Há duas semanas imagens de um cenário apocalíptico chegam por todas as mídias, algumas bem perto, no nosso quintal. De difícil compreensão.

UMA situação que exige de nós um trabalho de colibri. Estender a mão ao próximo, uma pequena dose de desapego, ainda que seja pouco, poderá fazer uma grande diferença. No meio de tanta tristeza, vemos exemplos de coragem e de arrojo. São os voluntários socorristas levados à exaustão, sem alimentação regular, mas que não desistem, resgatando pessoas ilhadas, enfrentando as mais difíceis condições, com o risco de se infectarem pelo contato constante com águas contaminadas. Até um cidadão que perdeu tudo está auxiliando nos salvamentos. Comove o resgate de cães e gatos, sim, porque são também criaturas de Deus. O possível, o difícil, o impossível está sendo feito na hora, o milagre pode demorar um pouco mais. Como decretado nas redes “ninguém fica pra trás”. O socorro vem chegando de todos os cantos do Brasil. Empresas que não foram atingidas pela catástrofe colocaram à disposição seus recursos humanos e toda logística disponível.

AQUI mesmo na nossa “Villa”, o prefeito Gilson Becker não quis esperar. Tomou a iniciativa e com auxílio de empresários e caminhoneiros autônomos locais, uma tropa de choque foi para estrada e a cabeceira da ponte da 409 foi restaurada e liberada em questão de cinco horas. O mesmo foi feito na 412, de tal forma que Vera Cruz não ficasse isolada, garantindo o trânsito de auxílios entre as comunidades vizinhas. Um voluntariado foi formado para auxiliar na limpeza e remoção dos entulhos das ruas da nossa vizinha Sinimbu, a mais devastada da região. Em todas as frentes, com empatia e serenidade. o prefeito mantém a mobilização da comunidade vera-cruzense porque ainda tem muito por fazer. A solidariedade é a luz que brota ao natural do coração das pessoas. Por mais que se tente explicar o quanto um gesto desses é grande, as palavras não são suficientes para expressar tudo o que representa no momento em que um irmão mais precisa. A calamidade não vai nos derrubar. O Rio Grande não se abate.

SE a catástrofe que abala a Província é difícil de dimensionar, a rede de solidariedade e voluntariado está sendo ainda maior. Grupos de voluntários, anônimos, deixaram o aconchego de suas casas e se dedicam, de forma incansável, a separar os donativos e outras atividades altruístas, tudo para levar um pouco de conforto às famílias atingidas. Outros se empenham ao preparo e distribuição de marmitas aos que estão em desabrigo e aqueles residentes em localidades de difícil acesso. Ações providenciais, louváveis e meritórias sob todos os aspectos. Essa mobilização eficiente e imediata só foi possível graças à agilidade das redes sociais e o atendimento da comunidade que entendeu a gravidade do momento que o Rio Grande está passando. Até a finalização deste comentário eram contabilizados 401 municípios em situação de emergência. A Província de São Pedro e a Capital das Gincanas têm pela frente a sua maior tarefa. Com inabalável Fé em Deus, venceremos. Sirvam nossas façanhas…

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