Colunista

Daniel Cruz

Fazer ComPaixão

Meio século?

3 de maio de 2024
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Nessa semana a natureza conversou conosco de uma maneira diferente, pois talvez estejamos insistindo em não entender suas dores. Semana que antecede meu aniversário; meio século, 50 anos e por aí vai nas diferentes formas de expressar a marca bem como de entendermos os momentos da vida.
Diria um amigo-irmão meu que é um ano a menos, ele não está errado; diria outro irmão que agora só ladeira abaixo; outros, de maneira otimista, já me antecipam que aguarde os 60 pois aí sentirei os danos do avançar da idade.
No calor da minha casa, junto à minha família, parei, olhei e fpensei nas coisas que já aconteceram, nas que não aconteceram, quantas gostaria que não tivessem acontecido e quantas eu ainda sonho que aconteçam.
Entendo que para algo acontecer precisamos fazer, nos movimentar e agir pois nada cai do céu exceto a chuva e o granizo avassaladores dos últimos dias.
Meio século me leva a entender e praticar algumas ações que até então não aconteciam, pois quando somos mais novos, mais imaturos, valorizamos demais a opinião dos outros e, em muitos casos, condicionamos a nossa realização e o nosso bem-estar à aprovação alheia.
Me permite criar minha moda de vestir, permite entender que não é a roupa que me define; permite levantar cedo e entender que isso é descansar pois são nesses momentos que minha alma se conecta ao silêncio da natureza.
Meio século permite escolher e, sem culpa, necessidade de agradar ou ser aprovado, definir aqueles que merecem entrar na minha casa pois a energia que nela circula para mim é importante; permite curtir velas, incensos, cristais, ter uma fonte do Buda, uma mandala e um crucifixo convivendo em harmonia no mesmo ambiente.
Permite entender que religião não é religiosidade, que a questão não reside no ser isso, ser disso ou daquilo e sim fazer e viver o bem a si e ao próximo. Permite entender que o lance não está no comer e sim no preparar a comida para quem amamos, pois sempre que o amor está envolvido alimentamos nosso coração com bons fluídos.
Compreender que quando passamos ao Oriente Eterno nossos metais ficam e, por isso, não vale a pena querer acumulá-los na ideia que seremos diferentes, pois somos todos iguais e que isso é fundamental. Permite não ser hipócrita, querendo pregar igualdade, melhor distribuição de renda e acesso a melhores condições discursando com uma taça de vinho e um charuto nas mãos, pois é preciso ser verdadeiro, senão a depressão pega.
Certo dia alguém me perguntou como eu, o cara do #fazercompaixao, da Felicidade Interna Bruta, do bem-estar a todos, estava a reclamar, estava triste e por momentos “raivoso” e eu, talvez pelo meu meio século, respondi que somos todos humanos, iguais e passíveis de errar. Com meio século, aprendi que errar é a oportunidade de crescer, de perdoar, de agradecer e, do limão, fazer a limonada.
Com o passar do tempo vamos ficando mais serenos e pacientes; penso mais amorosos na medida que, humildemente, entendemos e admitimos nossos erros. Talvez, e digo talvez, esse seja o GRANDE SEGREDO. Admitir os erros e aprender com os mesmos é o grande segredo, talvez para mim. Experimente, talvez para você seja o mesmo caminho.
Lembro da minha época de docência, nos que entraram em exame por 0,1! Me arrepia pensar que um dia fui assim, mas também, hoje, me arrepio por entender que a vida não é assim. A vida só vale a pena por isso, por essa gangorra do estar certo ou errado, ser amoroso ou rancoroso e por aí vai. Somos humanos e temos o lado racional na “disputa” pelo equilíbrio com o lado emocional. Um dia de cada vez, que assim seja. Abss.

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