Cultura e Entretenimento

Estúdio Boca de Sons é um reduto da música em Santa Cruz

13 de maio de 2024
  • Por
    Paola Severo
  • Estúdio Boca de Sons foi inaugurado em Santa Cruz do Sul em 2007 | Foto: Arquivo Pessoal
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    Para quem aprecia música é normal admirar o trabalho de bandas, cantores e compositores. No entanto, existe uma figura trabalhando por trás desses profissionais para que as canções ganhem vida: o produtor musical. Santa Cruz do Sul é um reduto de talentos e atuando junto a muitos deles está o proprietário do Estúdio Boca de Sons, Alison Knak.

    Aos 36 anos, o músico e produtor musical atua na área desde 2004. Oriundo de uma família com raízes musicais e com duas avós que cantavam à mesa nos encontros de família, ele começou sua trajetória na música aos nove anos. Aprendeu a tocar cavaquinho com o grande sambista Alcemiro dos Santos, e depois, se apaixonou pela guitarra elétrica e aí seu caminho – e sua profissão – estavam definidos.

    Alison frequentou a Escola de Música Evidências e teve a primeira banda aos 16 anos, a Cosmic Door, ainda em atividade e desde lá fez parte da Calvin, Doctor Flowers, Rockadélicos, Rafael Sehn Trio e Lusco Fusco. Dentro da cena se encantou pela produção musical e teve o primeiro estúdio com Henrique Elias Sulzbacher de 2004 a 2006. Na época ele estudava, trabalhava em uma loja de instrumentos e seu salário virava equipamentos.
    De olho no potencial da música local, viu que havia essa carência estrutural e de conhecimento técnico de produção e gravação. Foi assim que em 2007 nasceu o Estúdio Boca de Sons, que desde então se tornou uma referência para mais de 200 artistas locais e do estado, de todos os gêneros musicais.

    Alison Knak é músico e produtor musical | Foto: Arquivo Pessoal

    O momento decisivo veio de uma conversa com o pai, que percebeu que ele queria trabalhar com a música e ajudou construindo o espaço. “Meu pai não é de ter essas preocupações, mas ele fez isso e foi o que transformou minha vida toda. Passei um ano estudando sobre construção acústica, fiz o projeto e a gente construiu aqui. O estúdio praticamente só tinha as paredes e aqueles equipamentos que eu já tinha. E o resto eu fui construindo”, lembra Knak.

    No começo, ele achava que o trunfo era o espaço e bons equipamentos, mas com o tempo percebeu que o que tinha a oferecer era seu conhecimento como profissional. “Eu estava produzindo as bandas e não sabia o que era produzir. Hoje tu abre a internet e tem milhões de informações, eu não tinha esse acesso”, comenta. A virada de chave veio quando Alison entendeu que podia oferecer mais do que apenas um local de gravação, mas direcionar as bandas para um melhor resultado, especialmente quem tinha pouca experiência.

    Em 2017, o produtor musical foi a Los Angeles, nos Estados Unidos, para estudar com Kevin Shirley, que já trabalhou com Aerosmith e Led Zeppelin. A experiência deu novo fôlego ao trabalho e trouxe como retorno uma agenda concorrida no estúdio. A dificuldade se tornou conciliar a carreira como músico, que hoje acaba se limitando a alguns projetos. “Tem vários trabalhos que eu gostaria de participar, mas não tenho como. Graças a Deus tenho bastante trabalho, projetos acontecendo e eu amo estar com a minha família”, comenta.

    O santa-cruzense ressalta a importância do filho, Noah, e da companheira Gabriela Freitas. “Meu agradecimento maior é pra Gabi, ela é um anjo na minha vida. Ela me trouxe muita luz no meu caminho, me dá muita força, me incentiva muito a crescer”, conta. “O Noah é o reflexo de tudo isso, porque ele transpira música, então é lindo ver isso. Acho que aumentou ainda mais a minha paixão pela música”, completa Alison.

    Alison Knak explica que hoje seu papel como produtor inclui ajudar os músicos a encontrar seu caminho, definir as melhores opções de material que sejam coesas e verdadeiras com o que cada banda ou artista representa. Isso inclui definir repertório, fazer os arranjos, escolher os músicos e até mudar parte das letras. Além disso, ele grava, faz a edição, mixagem e masterização das faixas, ajudando cada artista a encontrar a sonoridade ideal. Muito mais do que locar um espaço e os equipamentos, ele está por trás de cada detalhe na criação das músicas. O resultado não é obtido apenas pela ferramenta, mas sim pela pessoa operando a ferramenta.

    Rifa

    O Boca de Sons está promovendo uma rifa solidária para ajudar as pessoas atingidas pelas enchentes na região. Cada número custa R$ 20,00 e o prêmio é a produção de uma música com Alison Knak no estúdio. Para participar é só entrar em contato pelo Instagram no perfil @alisonknak.producer. O sorteio será nesta sexta-feira, dia 10, e o dinheiro arrecadado com a ação será utilizado na compra de alimentos e material de higiene e limpeza para as famílias afetadas pela cheia no município de Sinimbu. “A gente já conseguiu vender a metade dos 200 números. A ideia é tentar ajudar quem a gente pode”, salienta.

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