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Juiz autoriza técnicas de tortura usadas pela CIA para acabar com ocupação em escola

2 de novembro de 2016
  • Por
    Luiza Adorna
  • Fonte
    Agência Brasil, O Globo e Rede Brasil Atual
  • Foto: Divulgação
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    Estratégias para combater o terrorismo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 podem ser usadas contra alunos do DF

    O juiz do Distrito Federal, Alex Costa de Oliveira, autorizou o uso de técnicas de tortura utilizadas pela Central Intelligence Agency (CIA) para forçar um grupo de estudantes a desocupar uma escola. Para acabar com a invasão de estudantes no colégio em Taguatinga, o juiz da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, determinou as medidas. Entre as ações, estão cortes do fornecimento de água, luz e gás das escolas, uso de ruídos para impedir o período de sono e restrição ao acesso de familiares, amigos e alimentos. Estratégias parecidas foram utilizadas como técnicas de interrogatório ao combate do terrorismo depois do ataque de 11 de setembro de 2001, no World Trade Center, em Nova York.

    "Como forma de auxiliar no convencimento à desocupação, autorizo expressamente que a Polícia Militar utilize meios de restrição à habitabilidade do imóvel, tal como suspenda o corte do fornecimento de água; energia e gás. Da mesma forma autorizo que restrinja o acesso a terceiros, em especial parentes e conhecidos dos ocupantes, até que a ordem seja cumprida. Autorizo também que impeça a entrada de alimentos. Autorizo, ainda, o uso de instrumentos sonoros contínuos, direcionados ao local da ocupação, para impedir o período de sono. Tais autorizações ficam mantidas independentemente da presença de menores no local, os quais, a bem da verdade, não podem lá permanecer desacompanhados de seus responsáveis legais", escreveu o juiz na decisão.

    Reivindicações

    O movimento é contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016. A PEC limita os gastos do governo federal pelos próximos 20 anos. Estudos mostram que a medida pode reduzir os repasses para a área de educação, que, limitados por um teto geral, resultarão na necessitará de retirada recursos de outras áreas para investimento no ensino. 

    Os estudantes também são contra a reforma do ensino médio, proposta pela Medida Provisória (MP) 746/2016, enviada ao Congresso. Para o governo, a proposta irá acelerar a reformulação da etapa de ensino que concentra mais reprovações e abandono de estudantes. Os alunos argumentam que a reforma deve ser debatida amplamente antes de ser implantada por MP, que começa a vigorar imediatamente.

    Governo

    O Ministério da Educação (MEC) afirma que a PEC 241 não reduzirá os repasses para educação e que o ajuste fiscal é necessário em um contexto de crise econômica. Sobre as ocupações, o ministério diz que os estudantes têm direito de se manifestar, mas que a Constituição garante a livre manifestação e também assegura que a educação é um direito de todos. O MEC diz ainda que ninguém deve impedir o direito dos jovens de ir e vir para a escola.