Copa das copas ?


Publicado em 22/06/2018 Atualizado em 22/06/2018 12:39

 

Não estou conseguindo acompanhar os jogos da Copa do Mundo como queria. Mas tem chamado a atenção a forma de jogo de algumas seleções. Especialmente a opção pelo tique-taque, o toque de bola excessivo, que, quando bem executado – como no caso do Grêmio – pode ser um grande aliado na hora de envolver o adversário. Mas, em seleções, será que isso significa realmente o bom futebol? Tenho minhas dúvidas.

Justifico meu posicionamento porque a maioria das seleções treinou pouco mais de 30 dias. Outras, nem 14 dias. E mesmo com atletas de altíssimo nível, não existe temo hábil para deixar o toque de bola em dia. E a insistência em jogadas pelo meio da área, sem cruzamentos, jogadas pelos flancos. Esse futebol praticamente não existe mais.

Mais um sinal de que existe uma nítida dificuldade em se conseguir encontrar o caminho do gol com a bola andando é o alto índice de gols de bola parada – falta, pênaltis ou escanteio. Hoje o caminho do gol é por jogada trabalhada, dentro da área, e quanto mais perto do gol for o passe, melhor.

Sinto falta de chutes de longa distância com a bola rolando. Poucos jogadores arriscam. Assim, são registrados poucos gols de longa distância, de fora da área, por exemplo. Tenho uma teoria para isso que irei destrinchar em outro momento. Não foi bonito o gol de Philippe Coutinho, na estreia brasileira contra a Suíça? O placar pode não ter sido de agrado do torcedor, mas o gol foi de encher os olhos.

Como a Copa do Mundo é o ápice do futebol e uma leitura do que ocorre no cenário do futebol mundial no momento. E as dificuldades pelas quais as seleções tradicionais estão passando são normais. Os jogadores chegam desgastados numa Copa. E na Rússia não é diferente.

Um Mundial, que nem o da Rússia, revela quem realmente vive um bom momento, desmarcara que não consegue produzir em grupo, ou revela caras novas. Comovente é ver seleções novas surgindo, novas forças, combatendo agremiações tradicionais e fazendo história.

Então, dentro das quatro linhas, muitas novidades. Árbitro de vídeo sendo polêmico e também brasileiros fazendo fiasco nas ruas da Rússia. Sendo maus exemplos ao mundo, e expondo as mazelas da sociedade brasileira.

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A vitória do Brasil diante da Costa Rica por 2x0 deu um alívio na Seleção, que precisa melhorar. Neymar não pode continuar caindo e não acontecendo nada com ele - vindo do banco de reservas. É claro que ele é caçado em campo, mas se não exagerasse tanto nas suas quedas, talvez fosse levado mais a sério. Ao tomar essas atitudes, Neymar incorpora o legítimo jeitinho brasileiro, escancarado nas suas ações: a de sempre querer levar vantagem em tudo. Menos, Neymar, os brasileiros clamam por mais autenticidade e menos forçação de barra.

Palmas para Phillipe Coutinho, autor de dois gols brasileiros nesta Copa, que tem se mostrado um dos mais eficientes jogadores na Rússia.

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Enquanto isso, no futebol brasileiro, a principal competição a Série A está paralisada. Os clubes se movimentam para assegurar reforços na retomada da competição. O Grêmio próximo do atacante Marinho, o Inter também busca reforços. Acredito que ambos possam manter seu bom futebol nos próximos meses. O Grêmio terá como desafios ainda a Libertadores e a Copa do Brasil e precisa retomar o bom futebol e resolver o problema da falta de gols. Ao colorado resta o Brasileirão e o sonho de buscar uma vaga na Libertadores.

Uma ótima semana a todos!

PortalArauto
Philippe Coutinho, goleador brasileiro na Copa (Divulgação/CBF)





Jacson Miguel Stülp

Jacson Miguel Stülp, jornalista de formação, especializado em Comunicação Empresarial e Marketing. Atua no meio do esporte há 20 anos como repórter, editor, setorista, assessor de imprensa e devorador de mídia esportiva. É autor, entre outras coisas, do livro Orgulho Centenário, que conta os 100 anos do FC Santa Cruz.



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