Cada minutinho precioso de amor


Publicado em 28/12/2017 Atualizado em 28/12/2017 09:21

O acidente desta quarta-feira (27), que vitimou um casal morador de Sinimbu, partiu meu coração. Toda morte para o trânsito destroça a alma da gente, porque percebemos o quanto somos frágeis e o quanto a vida pode ser perigosa, em qualquer dia e em qualquer lugar. Mas, romântica como sou, toda vez que percebo um casal sendo separado pela morte, meu peito dói ainda mais. Ontem, Renê partiu e hoje Nilva foi ao seu encontro. Eu sei que ambos viverão juntos na eternidade, mas é complicado entender a vida quando ela acaba enquanto ainda temos muito que fazer onde estamos.

Eu queria que eles tivessem vivido mais, como o casal que eram e como os amigos que foram para todos que os rodeavam. Eu não conhecia os dois, mas lamento essa partida precoce, em uma situação tão dolorosa. A morte do casal me faz pensar nos relacionamentos que temos durante nossa trajetória. O amor romântico, o amor de pai e mãe, de irmãos e amigos. Todo tipo de amor que nos movimenta em prol de atitudes do bem e que abastece nossa alma.

Há alguns dias, caminhando por Santa Cruz em um dia extremamente quente, assim como a última tarde de Nilva e Renê, olhei para o lado e observei um chalé, pintado de verde ou azul (não lembro bem). Na varanda, dois idosos. Um velhinho sentado em uma cadeira, enquanto a mulher de cabelos grisalhos se aproximava com um sorriso. Ao redor da cena de amor, de pessoas que, provavelmente, viveram décadas e décadas, juntos, havia muitas flores, galhos e folhagens. O lar dos dois é abraçado por um jardim que roubou minha atenção. Foi quando eu vi, preso no lado esquerdo superior da casa, uma plaquinha balançando com o pouco vento daquele dia.

Naquele pedaço de madeira, eu li: “Somos um casal feliz com a graça de Deus”. Meu coração ficou quentinho e tive vontade de falar com eles. Segui meu caminho, embaixo do sol quente e com a alma comemorando por aqueles dois. Quis escrever um texto sobre no mesmo momento, mas não o fiz. Pensei em anotar em um bloco de notas, como geralmente faço com as ideias que surgem, mas não senti necessidade. Eu sabia que aquela cena não sairia do meu coração.

Hoje, depois de lamentar a partida de um casal, em um lugar que está virando clichê de acidentes, relembro daqueles dois seres humanos de cabelos cor de neve. Relembro porque queria que Renê e Nilva ficassem bem velhinhos ao lado um do outro. Queria que todo casal que se ama de verdade pudesse viver o máximo possível de mãos dadas. Com tudo isso, me lembrei do meu namorado e no amor tão forte que sinto todos os dias. Pensei no quanto uma pessoa pode conseguir fazer a outra se sentir completa e feliz e me deu um nó na garganta.  A gente sabe que a vida aqui na terra não dura pra sempre. A gente sabe. Mas como é difícil entender esse tipo de separação. Que fique sempre em nossas mentes, o quanto é importante valorizar cada minutinho precioso de amor.

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Luiza Adorna

Jornalista, sonhadora e escritora. Apaixonada pelas letras e pelo jornalismo desde criança. Gosta de observar a vida e registrar o que enxerga pelas ruas. Gosta de contar a história das pessoas. Gosta de narrar a existência humana. Notas de Rua é um blog sobre a vida, sobre o cotidiano e sobre aquilo que não deve passar despercebido.



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